Atualizado em 30/10/2025 – 08:26
Decidimos escrever este editorial na tentativa de falar apenas do óbvio, discordando, neste momento, da ideia de que o óbvio não se comenta.
Buscamos abrir espaço para que fatos – e não apenas narrativas – possam ser analisados sobre a “megaoperação realizada pelo governo do estado do Rio de Janeiro” nesta terça-feira.
Comecemos com uma pergunta simples ao governador Cláudio Castro e às autoridades policiais envolvidas na ação: o Rio de Janeiro está mais seguro hoje do que estava na segunda-feira?
Aos responsáveis pela resposta, está dado todo o espaço para apresentá-la. Mas, caso nenhuma melhora concreta na segurança do cidadão carioca tenha sido alcançada, então para que serviu a matança promovida na chamada megaoperação?
Em mais um capítulo repetido do histórico fracasso no enfrentamento à insegurança no Rio, policiais perderam suas vidas, famílias carregarão traumas, pessoas inocentes viveram momentos de pânico em uma zona de guerra que foi imposta a elas, e ainda será preciso entender quem são os mais de cento e vinte corpos que a guerra urbana produziu nesta semana.
Falando novamente de fatos, o governo fluminense precisa informar quantos mandados de busca e apreensão foram cumpridos, quem são todos os mortos, quantos chefes criminosos foram presos, por que razão os corpos encontrados na mata não foram retirados pela força policial, o que será feito no dia seguinte nas comunidades atingidas e, novamente: o que mudou na vida do carioca após a chamada megaoperação?
O Rio enfrenta uma guerra contra um crime organizado fortalecido, enquanto o estado permanece enfraquecido, desorganizado e preso a métodos antiquados. É exatamente esse cenário que o domínio faccional deseja: um estado que reage com força bruta, mas sem inteligência.
Como estão as famílias dos policiais mortos? Como estão os moradores das comunidades atingidas, mais uma vez tratados como danos colaterais? O que fez o governador Cláudio Castro em relação a essas pessoas no dia de hoje?
Qual é o plano de segurança do governo estadual? O que acontecerá agora com a facção que foi alvo da operação e que seus responsáveis chamam de “derrotada”? Ela foi extinta? Enfraquecida? Ou retornará mais violenta e vingativa?
As armas de guerra apreendidas foram fabricadas dentro das comunidades? Ou chegaram por caminhos conhecidos e historicamente ignorados? Outra pergunta inevitável: de onde vêm as armas apreendidas?
Após a “megaoperação”, o que temos são mais perguntas do que respostas. E a principal delas, feita por milhões de cariocas, continua sem resposta:
O que mudou depois da matança desta terça-feira?

